O Cary Grant de Cada Dia #16 - The Philadelphia Story
“The Philadelphia Story”, de 1940, é o último de quatro filmes que Cary Grant e Katharine Hepburn fariam juntos. Curiosamente, foi o maior sucesso dos dois e o que livrou Katharine Hepburn da fama de veneno de bilheteria. Dirigidos novamente por George Cukor (de “Sylvia Scarlett” e, um dos meus favoritos, “Holiday”) o elenco conta também com James Stewart, aparentemente deslocado, mas, por isso mesmo, excelente.
O filme se passa nos dias que antecedem o segundo casamento da socialite Tracy (Hepburn), quando não bastando a falta de carisma e charme do noivo, tudo se complica um pouco mais com a chegada de seu ex-marido Dexter (Grant) e um repórter de tablóide, Mike (Stewart). Mike, na verdade, é um escritor digno, mas precisa trabalhar onde trabalha para poder se sustentar, muito diferente de Tracy que vive em extrema riqueza. Tracy, por sua vez, não consegue admitir as fraquezas dos outros e exige uma conduta irrepreensível de cada um. Foi justamente por isso que ela se separou de Dexter.
Há em “The Philadelphia Story” uma certa temática de arrogância. Mike acha que Tracy leva uma vida privilegiada na alta sociedade, enquanto que Tracy acha que Mike é um esnobe intelectual. Apenas Dexter está pronto para aceitar as pessoas como elas realmente são, com falhas, preconceitos e tudo. E, apenas quando Tracy percebe que ela mesma é humana e que não está livre de cometer erros, é que ela pode compreender Dexter e voltar para o seu verdadeiro amor.
O filme todo parece orquestrado pelo personagem de Cary Grant, como se tudo acabasse exatamente da forma que ele queria, mas trata-se, na verdade, de um amadurecimento; Tracy realmente aprende a amar como deveria e isso só ocorre com algum sofrimento.
Uma curiosidade, Cary Grant doou todo o seu cachê deste filme para a British War Relief Society, uma organização humanitária com base nos Estados Unidos que enviava roupas, alimentos e remédios às pessoas na Grã-Bretanha durante a Segunda Guerra.