O Cary Grant de Cada Dia #15 - The Howards of Virginia

Fui ensinada a não escrever críticas na primeira pessoa, mas discordo da regra. Além de ser impossível escrever sobre algo que vivenciamos subjetivamente de forma totalmente objetiva, acredito que falar de certas experiências pessoais ao ver um filme facilita a compreensão do próprio. Uma resenha é mais útil quando o crítico, em vez de simplesmente descrever a ficha técnica e a sinopse, admite que dormiu durante o filme todo, pois assim sabemos que o filme ao menos tem potencial soporífico.

Pois bem, eu não dormi durante “The Howards of Virginia”, mas resolvi aparar as unhas enquanto assistia. Das duas uma, ou sou uma péssima profissional e não dedico atenção suficiente à obra ou a minha falta de atenção já é justamente parte da crítica. Se o filme fosse bom, eu seria capaz de matar qualquer um que me atrapalhasse, mas como não era o caso, fui percebendo ao longo do filme que minhas unhas estavam muito longas e que isso é ruim em tempos de telas touch-screen. O comprimento das minhas unhas está bem melhor agora, obrigada.

“The Howards of Virginia”, de 1940, é um filme de época, passado um pouco antes e durante a guerra de independência dos Estados Unidos. Baseado em um romance, há muitos letreiros informando dos acontecimentos históricos e pouca adaptação cinematográfica de cada um desses eventos, o que torna o filme um pouco decepcionante. Há uma guerra acontecendo, mas vemos pouco ou quase nada dela. Perto do final, o filme parece tomar um rumo trágico um tanto previsível, com direito até a sonho premonitório, mas tudo acaba duvidosamente bem, e até agora não sei se isso é bom ou não. Fracasso de bilheteria, “The Howards of Virginia” fez com que Cary Grant nunca mais aceitasse fazer outro filme de época. Ele abriu uma exceção para “The Pride and the Passion”, em 1957, com Sofia Loren, porque estava completamente apaixonado por ela. Este também fracassou, mas pelo menos tinha a Sofia Loren.