O Cary Grant de Cada Dia #6 - Alice in Wonderland
Não tenho muita certeza se a versão de 1933 de “Alice in Wonderland” conta como dose diária de Cary Grant. No filme, ele faz a voz de uma tartaruga (que mais parece uma vaca com casco) e sua cena dura uns dois minutos, no máximo. Percebi que não era o próprio Cary Grant fantasiado de tartaruga porque a pobre criatura tinha quase que a mesma altura de Alice. Menos mal. Assim não preciso imaginar um Cary Grant ainda não muito famoso vestido com uma fantasia horrenda de tartaruga, mas apenas um Cary Grant bem arrumado em um estúdio de gravação dublando uma tartaruga horrenda, like a good sport.
Apesar do elenco de estrelas (já reconhecidas na época e não apenas em ascensão) como, por exemplo, Gary Cooper de Cavaleiro Branco e até W. C. Fields como Humpty Dumpty, o filme foi um fracasso de bilheteria na época. Não é à toa. Obviamente que um filme baseado em “Alice no País das Maravilhas” vai ter elementos estranhos, fantásticos, mas nesta versão parece ter surgido toda a raison d’être para a obra do David Lynch ou para as experiências com ácido na década de 60. Até aquilo que poderia ser minimamente fofo, acaba representado de uma forma bizarra, com caracterizações medonhas e fantasias de inspirar pesadelos. Não é coisa para crianças.