O Cary Grant de Cada Dia #5 - Topper
Começo hoje a campanha pela aposentadoria do Steve Martin. Steve Martin (como Spielberg e tantos outros) já foi legal, aliás, muito legal, mas a idade nem sempre faz maravilhas. Por que estou falando de Steve Martin no dia do Cary Grant? Primeiro, porque todo dia é dia de Cary Grant, eu preciso variar um pouco de assunto. Segundo, porque me diverti muito assistindo “Topper”, de 1937, para depois descobrir que estão produzindo uma refilmagem do filme com o Steve Martin. As refilmagens de “A Pantera Cor-de-Rosa” já não foram castigo suficiente?
“Topper” conta a história de um banqueiro de meia-idade que vive uma vida regrada e monótona, até ser assombrado por um casal de fantasmas, interpretado por Cary Grant e Constance Bennett, que irá ensiná-lo a se divertir um pouco mais. Para um filme de 1937, os efeitos especiais são até que bastante eficazes. Os fantasmas podem ficar visíveis ou invisíveis quando bem querem e podem até mesmo comer, beber e fumar. Fazer com que objetos se movam aparentemente sozinhos, portanto, é fácil. Uma cena, em especial, me surpreendeu; quando um chip dog é erguido do chão e não dá para perceber cabos ou outras traquitanas.
Há alguns momentos mais sérios que, mesmo o filme sendo uma comédia, poderiam ser mais explorados. Os personagens da Constance Bennett e do Cary Grant morrem por imprudência, por passarem a noite dançando e bebendo. Após o acidente de carro que sofrem, já mortos, eles começam a conversar; percebem que não estão indo para o paraíso, talvez porque nunca fizeram uma boa ação (eles também nunca fizeram nada de ruim, mas isto não é suficiente). Decidem, portanto, fazer por Topper a boa ação que precisam para garantir a entrada no paraíso, ao ensiná-lo a aproveitar a vida. Mas fazem do banqueiro um imprudente tal como eles e, quando o próprio Topper se acidenta e diz preferir estar morto, o casal não sabe explicar muito bem porque ele deve escolher a vida e porque ela é melhor do que a morte. É um desperdício de momento. É um filme divertido de se ver, mas se Frank Capra, por exemplo, assumisse a direção naquele momento todos sairiam chorando do filme, certos de que viver é melhor.