O Cary Grant de Cada Dia #3 - I’m No Angel
Em Hollywood, até meados de 1934, não havia a menor censura com relação ao conteúdo dos filmes. “I’m No Angel”, de 1933, é um exemplo divertido do tipo de liberdade que havia até então. Não há nada de realmente explícito no filme, não há nudez ou violência, mas praticamente tudo que Mae West fala (ou geme) tem conotação sexual. Além disso, sua personagem coleciona presentes caros de homens diversos (para cada homem, ela mantém o respectivo retrato junto da estátua do animal que melhor representá-lo, um gambá, uma cobra, e assim por diante, compondo um verdadeiro zoológico amoroso) e ainda orienta as outras mulheres a tomar o máximo possível dos homens, dando sempre o mínimo.
O filme seria completamente imoral se a personagem da Mae West não cruzasse com o personagem do Cary Grant. A reputação em risco não é a de boa moça, mas a de mulher vivida e que não seria boba de se apaixonar de verdade por ninguém. Reputação que, graças ao Cary Grant, ela não se preocupa mais tanto assim em perder. No final das contas, a mensagem do filme é esta: Há coisas que podem interessar muito mais do que dinheiro, jóias, casacos de pele ou inúmeros pretendentes; o Cary Grant.