O Cary Grant de Cada Dia #1 - Sylvia Scarlett
“Sylvia Scarlett” é o primeiro de três filmes que Cary Grant faria com Katharine Hepburn e é também, historicamente, um dos maiores fracassos da década de 30. O filme tem alguns bons momentos mas é, em geral, uma adaptação literária muito desconjuntada.
Feito em 1935, talvez seja o precursor de todos aqueles filmes em que mulheres se passam por homens (tem também um beijo rápido de mulher com mulher). No começo do filme, a personagem da Katharine Hepburn parece ser uma moça honesta e vítima dos escrúpulos do pai, mas ela logo topa fazer parte de seus esquemas ao se disfarçar de homem para escapar da polícia com ele. É aí que eles encontram o Cary Grant, um outro golpista (fazendo um sotaque cockney terrível) e os três se juntam para golpes mais elaborados e lucrativos.
Daí você imagina que o Cary Grant se aproximaria da Katharine Hepburn, sem saber que ela é mulher, mas sentindo mesmo assim uma confusa atração, que culminaria na revelação de que ela é, de fato, uma mulher e, então, eles poderiam ficar juntos e todos ficariam satisfeitos. Não é o que acontece. No meio do filme, eles resolvem se tornar artistas mambembes. E, tão de repente quanto, os interesses românticos mudam completamente, não de uma forma agradável.
É um filme ruim, em que o Cary Grant não recebe a devida atenção e dá para perceber que trata-se de desperdício. Katharine Hepburn já atua como atuaria com mais idade, com a mesma profundidade, a mesma vulnerabilidade que a tornaria tão reconhecida, mas é ainda mais enervante… Como ela pôde não escolher o Cary Grant? Como permitiram isso? E o que havia de errado com o George Cukor, futuro vencedor do Oscar por “My Fair Lady”, quando ele dirigiu o filme?