O Cary Grant de Cada Dia

Acho o Cary Grant o apogeu do homem. Não há outro ator, vivo ou morto, que me provoque tantos suspiros. Eu ter nascido no mesmo ano de sua morte é a tragédia da minha vida, mas sigo com seus filmes, suas fotografias e sonho com um plano em que nos conheceremos e que ganharei, no mínimo, um soquinho carinhoso no queixo, “Oh, Ieda…”

Mas por que o Cary Grant é o apogeu do homem? Entre outras coisas, pela beleza, é claro, mas por uma beleza que quase não existe mais:  uma beleza realmente masculina. Hoje em dia, muitos homens considerados bonitos possuem características femininas, têm cílios longos, bochechas rosadas e lábios vermelhos e carnudos. Além disso, muito desta beleza está relacionada a uma certa vulnerabilidade, a uma atitude frágil e uma sensibilidade exagerada. Cary Grant não era um bruto, mas também não era uma moça. Hoje em dia, os homens são moças que apanhariam de heroínas de Jane Austen. São fracos, inseguros, medrosos, preguiçosos…

Cary Grant era alto, atlético, rápido; vinha do vaudeville, então sabia dançar, cair, dar piruetas ou simplesmente se mover com graça, sabia controlar o próprio corpo. Ele era engraçado. Ele é engraçado. Como é importante um homem que sabe fazer rir. Um homem que sabe fazer rir é muito mais atraente, para uma mulher, do que o dinheiro ou mesmo a aparência, porque promete uma vida que, mesmo nos piores momentos, será divertida e, assim, as eventuais dificuldades parecem mais tratáveis.

E como era inteligente, articulado, charmoso…Enfim.

Há muitos filmes com o Cary Grant que eu ainda não vi. Então estava pensando em fazer o seguinte: Assistir um por dia e falar sobre o filme aqui. Vou dar prioridade aos filmes que ainda não vi, mas planejo rever (e escrever sobre) alguns dos meus favoritos também. Ele fez 74 filmes. Não sei quantos vou conseguir assistir ou mesmo ter acesso, mas vou seguindo até perder a vontade, o que eu acho improvável.